Preso por engano, ganha ação e morre
Marcos Mariano da Silva, de 63 anos, permaneceu preso injustamente por 19 anos e teve enfarte após saber que receberia indenização do Estado.
Ele teve um enfarte durante o sono, algumas horas depois de saber que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia negado recurso do governo de Pernambuco e determinado o pagamento da segunda parcela de uma indenização por danos materiais e morais.
O valor total da indenização era de R$ 2 milhões. Ela já havia recebido metade em 2009.
O ex-mecânico foi preso, acusado de homicídio, em 1976, e solto 6 anos depois, em 1982, quando o verdadeiro culpado foi preso.
3 anos depois voltou a ser preso, após ser parado em uma blitz. Devido a erro de comunicação entre órgãos do governo, constava a informação de Mariano ser um foragido.
Marcos Mariano penou mais 13 anos na cadeia sem que ninguém desse crédito à sua história.
Contraiu tuberculose e ficou cego ao ser atingido por estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo jogada pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar durante uma rebelião no Presídio Aníbal Bruno.
Um mutirão judiciário reconheceu a injustiça e ele foi solto em 1998, quando entrou com a ação judicial contra o governo do Estado.
Desde então, diante da pressão da opinião pública, ele passou a receber uma pensão mensal de R$ 1 mil do governo pernambucano, que foi suspensa em 2009, quando recebeu a primeira parcela da indenização.
Marcos Mariano comprou uma casa, ajudou a família e passou a ter uma vida digna. Mas já não tinha alegria de viver, segundo o advogado, que se transformou em amigo. "Ele me dizia que vivia em um cárcere escuro e daria tudo para enxergar novamente."
Abandonado pela mulher e pelos 11 filhos depois de ser preso pela segunda vez, Mariano conheceu Lúcia, que acompanhava a mulher de um companheiro de cela nas visitas, e se casou com ela.
Seu corpo foi velado no Cemitério de Santo Amaro e o enterro ocorreu ontem.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo
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